28 de Agosto de 2011
Publicado em 27 de Agosto de 2011
 
É uma vida difícil e mais difícil ainda entrar no grupo especial de matadores. E Vítor Mendes conseguiu o feito de nas últimas 18 temporadas ter estado 12 no grupo especial
 
Falar com um homem como Vítor Mendes é algo de apaixonante, tal a ênfase que este põe nas suas afirmações. Fomos passar com ele uma manhã na véspera de comemorar 30 anos de alternativa como matador de toiros. Com 53 anos de idade, casado, pai de três filhos, católico convicto, atribui a esta data uma importância transcendente: "As pessoas podem pensar que seria fácil depois de tantos anos a fazer parte do grupo especial separar-me desta vida, mas, bem pelo contrário, levo hoje a minha vida de toureiro com tanto entusiasmo como se fosse um miúdo. Ser matador de toiros é uma graça de Deus e, tanto em praça com fora dela, mantenho o maior respeito pelo público, e por todas as pessoas que gravitam à volta do mundo do toiro."

É um homem viajado, que conhece meio mundo, como tal interessado pela conjuntura social e económica do mesmo. Como vê a actual situação internacional?

A presente situação mundial é preocupante. Quanto a mim a globalização é um erro. Não podemos subestimar os princípios de cada nação, tanto a nível cultural como religioso, e esta globalização leva-nos a uma mercantilização. Quando os EUA têm uma gripe, todos os países, nomeadamente da Europa, vêm por aí abaixo, só sendo beneficiados os países emergentes, com uma mão-de- -obra muito barata e com medidas que todos nós sabemos não serem social e moralmente aceitáveis. Em Portugal, enquanto os interesses partidários, e os políticos e gestores públicos não forem julgados pelo seu trabalho, isto não vai a lado nenhum.

O que é ser "figura" no toureio?

É muito difícil ser figura, seja em que arte for. Uma figura só o consegue ser quando existe entrega do público. Vejam o caso do toureio em Espanha. Quantos milhares de jovens já se vestiram de toureiros e quantos chegam a sonhar ser figuras? Só sonhar, porque do sonho à realidade vai uma grande distância. Em todas as profissões é preciso empenho, só que nesta, de toureiro, é preciso um trabalho diário muito duro. São anos e anos para que alguém se lembre de olhar para nós, é uma vida de contínuo risco, e em que ou aguentamos, ou..... passa bem.

Não há estabilidade na vida de um toureiro?

E nas outras, há? Vamos à história da tauromaquia e pesquisemos os últimos 30 anos. A conclusão será que neste espaço de tempo foram poucas as figuras que se aguentaram mais de cinco, seis anos. Isto é muito duro. Vejam o meu caso, em que nas últimas 18 temporadas estive 12 no grupo especial. E isso é que é difícil, é manter, porque na minha geração vi toureiros extraordinários, com uma classe invulgar, casos do Pepe Luis Vázquez (Filho), Mario Triana, Aguilar Granada, Pepín Giménez, sei lá, mais uma quantidade de nomes que tinham uma qualidade e uma profundidade fabulosas, só que não se aguentaram. E isto são factos.

Mas o que diferencia os toureiros? O talento ou a técnica?

Talento, talento, cabeça e querer, porque técnica todos têm. Reparem nas oportunidades que são dadas a muitos toureiros, e reparem quem triunfa: Enrique Ponce, Juli, José Tomás, Morante, Manzanares, Talavante e pouco mais. Todos eles têm técnica, todos se arrimam, mas se não existir talento... O exemplo desse mesmo talento é a faena ainda ontem do Morante em Bilbau, em que corta duas orelhas a um toiro que de principio o público "pitava". É um toureiro diferente, um toureiro especial, que necessita de um certo tipo de toiro, mas vê lá se também ele não se começou a arrimar. É um toureiro que marca sempre. Vejam se no ano passado quando teve de ir a uma "porta de gaiola" e em que levou duas voltaretas, foi ou não foi?! Isto é talento.

É a prova de que a cabeça tem um grande peso?

Exactamente. Querem um exemplo do contrário? O Javier Conde. Esteve um ano à frente do escalafón, e agora...

A sua época de começo de toureiro foi um caminho difícil?

Primeiro sou português, e aqui em Portugal foi uma geração que se perdeu, não nos podemos esquecer. A evolução histórica do toureio a pé em Portugal está marcada pela morte do grande toureiro José Falcão. Pós José Falcão aparecem um par de gerações de novilheiros que não foram capazes. Vivíamos a época conturbada social e política que foi o pós-25 de Abril, e surgiram nessa época o Poeira, o Marco António, o Jorge Luís, etc., com formação de espera de toiros, vacadas por essas terras fora. Depois surgem o António Manuel, de Vila Franca, e o Parreirita Cigano, da escola de Coruche, que foi a parelha de novilheiros que mais transcendeu nos últimos 30 anos em Portugal. Existiram outras parelhas levadas pela toureiria do maestro Armando Soares, só que a diferença estava em passar a fronteira para o outro lado, em que um miúdo chega lá e vê um novilho com 460 kg, em pontas, com uma cabeça do tamanho do mundo..., em que tens a teu lado uma quantidade imensa de miúdos a querer entrar... Quem tem unhas é que toca guitarra. Depois, e isto é história do toureio em Portugal, existiu uma parelha que toureava tudo, o António de Portugal e o Parreirita Cigano, levados primorosamente pelo maestro António Badajoz, que contrata em Espanha o El Pipo, para levar o Parreirita para lá, estando na sua quadrilha, só que não aguentou. Depois foi o Rui Bento Vasques e o José Luís Gonçalves, com muito valor... Bem, tudo isto para dizer que não nos podemos esquecer do toureio a pé em Portugal.

E nessa altura por onde andava?

Nessa altura estava para entrar na Faculdade de Direito, só que como bem nos lembramos, e é bom não esquecer, vivíamos uma situação no país muito difícil, em que andava tudo à chapada, sem qualquer disciplina, e o meu pai, por ver que eu queria fazer Direito, aconselha-me calma e arranja-me um estágio de 13 meses no Tribunal Judicial de Vila Franca de Xira. Acontece que como parei de estudar, e por a lei mudar, fui obrigado a fazer o serviço cívico estudantil, uma experiencia chocante, um encontro com a realidade da altura. Contacto com o maestro António Badajoz, que andava com o grande toureiro José João Zoio. Entrei nessa altura na sua escola, em Coruche, e disseram-me: "A altura é muito difícil, faz a tua vida e com tempo tiras a tua prova de bandarilheiro praticante, e depois metemos-te aqui a tourear." Fiquei contente, faço-me profissional de toureio e continuo os meus estudos, como o meu pai pretende.

Vamos recuar um pouco. Como foi o seu início no toureio?

Comecei a acercar-me do mundo do toureio por volta do ano de 1972. Bons tempos, em que o senhor Cadório gritava connosco. Acontece que se juntam umas pessoas em Vila Franca para ficar com a praça e nomeiam como gestor Ludovino Bacatum. Sendo Bacatum um homem muito ligado ao toureio a cavalo, teve a perspicácia e visão de realizar em 1973 o concurso "Vila Franca procura um toureiro". Foi aí que apareci. Tirei a alternativa de bandarilheiro em Coruche, na Feira do Castelo. Pus os três pares de bandarilhas e o público obrigou-me a dar a volta ao ruedo.

Datas inesquecíveis?

Em Maio de 1977, quando se deu uma corrida de toiros de morte em Vila Franca, com o José Júlio, o António de Portugal e o Rayito, em que se mataram sete toiros. Gonçalito, que era apoderado de Rayito, depois de me ver bandarilhar não me largou. Insistiu que teria de ir para Espanha, o que aconteceu em 7 de Janeiro de 1978.

Foi logo para Madrid?

Sabe lá o que passei... Repare, na época estava a estudar, tinha a tropa à porta, "carcanhol" não havia, a minha mãe trabalhava para ajudar o meu pai a dar-nos uma vida melhor. Apanhei o Lusitânia Expresso em Santa Apolónia com uma mala, um capote e um estoque rumo a Madrid. Cheguei lá de manhã, um frio de morrer, e esperava-me o Gonçalito, que me diz "mira, toureiro, aqui não se passa nada, ficas dois dias aqui num quarto e depois marchas para Sevilha, onde António Torres te espera". António Torres era o homem de confiança do maestro Curro Romero.

12 de Janeiro de 1978, Sevilha.

Não o conhecia, mas lá nos encontrámos e disse-me logo que ia ficar em Triana, em casa de uma senhora conhecida como a Madre dos Malletillas (Tia Gertrudes). Lembro que não havia escolas taurinas, pelo que treinávamos em casa, num pátio, até que descobri que a 7 quilómetros, em Santi Ponce, numa praça improvisada, era onde se juntavam os toureiros para treinar. Todos os dias de manhã bem cedo lá ia a pé, com muleta e estoque. Foi muito duro. Foi o primeiro embate com o mundo do toureio, e em que conheci e fiquei com um grande amigo, o Juan António Ruiz "Espartaco". Treinávamos todo o dia, chegávamos a dar 300 estocadas no carretón. Ficávamos quase sem pele nas mãos.

Primeira novilhada.

Em Logroño, numa novilhada sem picadores, sem nunca ter estoqueado um novilho, cortei quatro orelhas e um rabo. Correu bem, pelo que o Gonçalito de seguida me arranja 19 novilhadas sem picadores e anuncia a minha primeira novilhada com picadores, em Figueras, na Catalunha. Toureei com o Pepe Luis Vargas, novilhos de António Mendes, cortei uma orelha a cada novilho, e a partir daí foi sempre a andar.

Defende que o toureio tem de ser uma arte plástica?

Não só. Um toureiro tem de ser comercial, é um facto. Outro factor, que hoje está muito em voga, é dizer-se "o miúdo toureia bonito", só que isso não chega, tem de haver submissão, tem de se resolver o toiro que temos pela frente.

O toureio é um negócio?

Qual a arte que não é? O teatro, a música, a pintura, tudo é um negócio. O romantismo da festa é que está a passar, e isso é mau. Não podemos cair só nos produtos de marketing, que em algumas ocasiões nada traz à festa.

O Caetano Ordónez é um exemplo de toureiro comercial?

Bem, dizem que realmente o rapaz é muito bonito, e aliado ao facto de ser toureiro, de ter o nome que tem, juntou estas virtudes e o marketing faz o resto. Mas é toureiro.

Que praças mais pesam nos toureiros?

Madrid, Bilbau, Sevilha.

Num dado passo da sua vida, privou bastante com Curro Romero?

É um senhor, de uma personalidade extraordinária, com um humor fantástico, um artista único, que tudo o que faz é inato. Existem imagens que nos ficam, como a última reaparição de outro grande maestro que foi Paco Camino, numa corrida em que toureou com Curro Romero, uma corrida do Carlos Nuñez. Nunca vi tourear assim.

Toureou com muitos toureiros?

Das figuras da minha geração, diga-me um com quem não tenha toureado.

Foi um toureiro que "tragou" de tudo?

Tenho a minha tauromaquia vibrante, de maior entrega ao toiro, uma tauromaquia que requer um grande conhecimento e concentração no toiro. E esta minha tauromaquia sentia-se mais com ganadarias mais agressivas, mais temperamentais, que chegam mais ao público. Sou um indivíduo muito temperamental.

Quais são as melhores ganadarias?

Muito pertinente essa questão. Miuras, Vitorinos, Pablos Romeros, Isaías, Baltasar Ibán.

Miuras?

Tem-se uma percepção que muitas vezes não sabes se és tu que estás a tourear o toiro se é o toiro que te está a tourear a ti. Tenho duas cornadas de toiros Miura, e sei muito bem o que transmitia ao toiro. Por exemplo, sai um toiro do Juan Pedro Domecq, é um toiro consequente do princípio ao fim. Num Miura não. A faena a um Miura são 15, 20 muletazos, de uma intensidade enorme, e se te estendes ele trinca-te.

Mas em geral os toiros de hoje não são muito previsíveis?

Porque hoje em dia o toiro deixou de ser protagonista. Mas isso vai mudar.

Qual o toiro que mais gostou de tourear?

O que mais me transcendeu tourear foi o meu primeiro toiro como matador de toiros em Barcelona, da ganadaria de Carlos Nuñez, ao lado do meu padrinho, Palomo Linares, e com testemunho do José María Manzanares. A faena que mais me marcou e projectou a minha carreira foi o do Baltasar Ibán, em Madrid.

Qual a ganadaria que mais o marcou?

Vitorino Martín. Um toiro muito sui generis, muito astifino e alto de agulhas, um toiro que impunha, um toiro que se tinha de trazer submetido. É um ganadero fora de série, é um louco pela ganadaria, um homem que sabe tudo da sua ganadaria, com um acompanhamento diário da mesma. Só lhe falta falar com os toiros. É uma ganadaria com personalidade. Mais que ganadeiro é um criador de toiros de lide.

Teve faenas de muito medo?

Mente quem disser que não tem.

Como administra o medo durante uma faena de 20 minutos?

Além do toureio em si, existem uma quantidade de nuances do toiro, das quais dependemos, mas para além do talento, da vontade, da entrega, o toureio é um exercício de inteligência, não ao alcance de todos.

Quantas cornadas levou?

Vinte.

Na actualidade quem manda no toureio?

Além de profissional do toureio, sou aficionado, e custa-me ver que, nomeadamente aqui em Portugal, existe muita gente a aproveitar-se do espectáculo, o que em Espanha é diferente. Ninguém nos obriga a estar no meio taurino. Se estamos é porque queremos, agora temos de saber estar e respeitar, senão... vão à vida deles. Em Portugal existe uma figura na festa de extrema importância que é o forcado. Só que não o sabem defender como tal.

Está a fugir à pergunta.

Em Espanha, na actualidade, existem vários, mas entre estes penso que os que mais metem são o Enrique Ponce, o José Tomás, o Juli, o Morante, o Manzanares, o Fandi, o Talavante.

O que acha que se pode fazer em Portugal para defesa do próprio espectáculo?

Primeiro, que o sentido de autoridade do próprio director de corrida fosse maior em consciência, com respeito e dignidade, e não dos modos em que alguns se encontram. Aqui teremos de ser radicais e severos. Depois, o actual regulamento está totalmente caduco. A evolução que se tem registado, que foi do abuso à radicalidade, de um novilho de 400 kg afeitado por metade do piton, para toiros de quatro anos com 500 kg e com o diamante cortado. Ponham os toiros em pontas mas picados, não podem ser picados não vão em pontas, mas que se apresentem com dignidade. No campo dos cavaleiros e forcados, penso que tem de existir mais bom senso por parte de todos. Uma lide a cavalo que dure 15 minutos são sete de toureio, depois é dar voltas à praça, agradecer a este e àquele, troca de cavalo mais de uma vez. Isto é, e peço desculpa pela expressão, abandalharam o toureio a cavalo. Ao forcado acontece o mesmo. Existiam à volta de 15 grupos, agora existem alguns 40. Uns grupos querem pegar e resolvem os assuntos, outros arrastam-se e demoram um tempo imenso. A recolha de toiros, com cabrestos que não conhecem os toiros, com campinos croatas... Estou a dizer isto num modo construtivo, também eu tenho telhados de vidro. A diferença é este exemplo que vou contar: uma tarde em Palência, sendo eu director de lide, saiu um cavalo de picar da quadrilha de um meu alternante, com um olho por tapar, o que é proibido por regulamento. O director de lide (por ser o mais velho de alternativa) é responsável por tudo o que se passe no ruedo e tem de chamar a atenção para tudo o que for anti-regulamentar. Como não reparei, fui multado em 40 contos (200€) na altura. Levantaram-me um auto em acta e tive de pagar.

Como vê o futuro da festa em Portugal?

Além dos aspectos já referidos, em que é urgente a mudança do regulamento, a mentalidade de empresários e ganaderos terá igualmente de mudar. O empresário tem de saber que isto é um negócio, que existe risco, e se ganha, tudo bem, se perde tem responsabilidades a assumir. Os ganaderos, por quem tenho um enorme respeito, não podem deixar as suas ganaderias estar sujeitas à onda do mercado. O que quero dizer com isto é que em Portugal a grande maioria das ganaderias está feita para o toureio a cavalo, esquecendo que as corridas mistas no nosso país têm um interesse fantástico, como provam os cartéis das mesmas quando bem elaborados. Quanto a novos toureiros, existem uma quantidade deles com entusiasmo, vontade e carácter, que podem singrar, e disso é testemunho a Escola de Toureio José Falcão, a Academia de Toureio do Campo Pequeno, a Escola da Moita, etc.

Quanto custa fazer um toureiro?

Conforme o talento. É um investimento. Alguns a custo zero.

Como vê a proibição do espectáculo de toiros em Barcelona e os movimentos antitaurinos?

Antitaurinos existiram sempre, mas há 10, 15 anos existe o "animalismo", que tem a ver com uma doença grave da nossa sociedade, em que as pessoas tentam transportar a sensibilidade e o sentimento do que é racional e humano para o animal. E isto porque a nossa sociedade está doente. Existem cada vez mais indivíduos sós, com mais problemas psicológicos, em que a sensibilidade, o sentimento, a relação humana é difícil de alcançar. É difícil sentir e relacionar-se. Por este facto, os animais domésticos são a salvaguarda e a bóia de salvação de muita gente, que tenta transmitir a ideia de que também o toiro é um animal doméstico, o que não é. Transportar este sentimento para um animal irracional é totalmente estúpido. Respondendo directamente à sua pergunta, o que se passa em Barcelona é uma atitude política, que vai acabar por não vingar. Toureei várias vezes em Barcelona e sei o que estou a dizer.

"Maestro", qual é o seu cartel de eleição?

Toiros de Miura para Paco Ojeda, César Rincón e Vítor Mendes em Nîmes. Em Madrid seria toiros Vitorinos com Ruiz Miguel, Esplá e Vítor Mendes.

publicado por Santos Vaz às 20:01

27 de Agosto de 2011

 

Não podia estar mais de acordo com a iniciativa do tauródromo e com a necessidade de “mexer” na e com a Festa. É preciso inovar e, sobretudo, credibilizar os espectáculos taurinos em Portugal. Só assim conseguiremos fidelizar os aficionados e cativar os jovens.

O público mudou. É pouco entendido, desconhece as regras básicas do toureio, vibra com as mordidelas e com as piruetas feitas a quilómetros do toiro Não se importa que lhe impinjam carneiros carregados de sebo em vez do, já esquecido, toiro-toiro, verdadeiras toirinhas que permitem anunciar muitos quilos, mas que não transmitem, não incomodam e nunca assustam.

Por isso percebo os detractores da iniciativa dos lenços brancos. Como deixar nas mãos de um público ignorante a decisão da atribuição de um prémio?

Na minha opinião é muito simples: é uma mera questão de justiça e democracia. O espectáculo é feito para o público, é ele o soberano, deixemos então que ele decida. Só assim poderemos ganhar massa crítica. Talvez assim se incentive alguns espectadores a tentar perceber porque fulano acenou a determinado artista em detrimento de outro. Talvez sinta a responsabilidade e procure decidir mais ponderadamente. Talvez não. Mas qual é a alternativa? Permanecer no marasmo e deixar a Festa agonizar lentamente. Pior do que estamos é difícil.

Gostava de ver esta iniciativa ser posta em prática em algumas corridas, ainda que ocasionalmente, sobretudo naquelas que participam os jovens cavaleiros, como forma de incentivar a competição e melhorar o espectáculo. Se o futuro da Festa passa por eles, a mudança também deve passar. Considero ainda que, para além da atribuição dos troféus, deveria ser feito o mesmo para a concessão das voltas à arena. Só após a petição do público, o director de corrida deveria autorizar os artistas a darem a volta de agradecimento. A execução não parece simples, nesta nossa festa de cavaleiros e forcados, mas não custa tentar.

Parabéns ao tauródromo pela iniciativa, mas sobretudo pelo debate. É também fazendo os aficionados reflectir e possibilitando-lhes expressar a sua opinião que valorizamos a Festa.

publicado por Santos Vaz às 12:51

22 de Agosto de 2011

Em relação às condições de lide, gosto do touro com mobilidade, com uma investida pronta, leal e vibrante. A conjugação entre nobreza e transmissão é a essência do êxito. Quanto ao tipo, gosto do touro de perfil recortado, com uma morfologia que lhe permita movimentos equilibrados e flexíveis.

 

O toureio está no código genético do nosso povo. Na parte Ocidental da Península Ibérica, tourear a cavalo e a pé são actividades anteriores à fundação de Portugal. O tempo tem uma importância inexorável na cultura de um povo, mas a preservação dessa cultura é da responsabilidade de cada geração.

 

Ser cavaleiro tauromáquico é, em primeiro lugar, seguir o significado destas duas palavras, tão bem escolhidas para definir esta profissão. Montar bem a cavalo e ser toureiro.

publicado por Santos Vaz às 12:07

15 de Agosto de 2011

 

 

http://www.ionline.pt/conteudo/143238-jose-luis-gomes-ha-forcados-que-nao-podem-ver-os-toiros-antes-amedrontam-se

 

Já pegou centenas de toiros e foi um dos forcados que durante mais tempo esteve no activo - 40 anos. Deixou os toiros há cerca de doze meses e aos 55 anos ainda pegava de caras. Uma vida dedicada às festa brava que lhe deixou muitas "cicatrizes" da pancada que levou dos toiros. Mas o momento mais difícil que enfrentou foi fora da praça, quando viu um dos filhos "às portas da morte" depois de uma pega que correu mal. "Senti a vida a fugir-me. Sofri...", diz José Luís Gomes com a voz embargada e de lágrimas nos olhos. Começou a pegar com 17 anos e liderou o grupo de forcados amadores de Lisboa durante cerca de 20. Actualmente, há mais de 40 grupos de forcados em Portugal e quase mil forcados, que, na sua maioria, são jovens. O i foi conhecer um dos mais conhecidos forcados portugueses.



Para pegar um toiro é mais importante o talento e a técnica ou a força e a capacidade física?

Não podemos pegar os toiros com força, porque a força está do lado deles. Nós temos de ter sangue-frio e temos de ter medo. Para estar na cara de toiro há que ter consciência que temos de ter medo e perceber o toiro. Durante a lide percebemos as suas características, a forma de investir, para onde é que ele gosta de ir, se marra alto ou baixo. E os mais novos têm de se aconselhar com os mais velhos...

Não adianta ter força se não tiver habilidade?

Os toiros pegam-se com técnica.

Com que idade começou a pegar?

Comecei aos 17 anos. O meu pai era matador de toiros, mas eu não tive arte para ser toureiro a pé. Senti-me sempre forcado. Comecei a pegar vacas nas tentas onde o meu pai ia tourear. Um dia houve um amigo que me convidou para ir para o grupo dele e fui experimentar, mas o meu pai não queria. O que ele queria era que eu fosse toureiro.

Tinha mais dignidade ser toureiro a pé?

Ele achava que era um risco grande. Não queria que me aleijasse. Como todos os pais protegia os filhos, mas eu quis ser forcado e entrei para o grupo do Montijo em 1970. Nessa altura o grupo dava-me poucas probabilidades de pegar, porque havia valores maiores do que eu, que estava a começar e só pegava em praças de pouca importância e bezerros. Eu queria mais e um dia fui assistir a um treino dos forcados de Lisboa e houve um forcado que caiu. Eu saltei as tábuas para o ajudar e acabei por pegar o toiro, que veio direito a mim. O Salvação Barreto perguntou "quem é este rapaz" e, nesse mesmo dia, foi pedir ao meu pai para eu ir com o grupo de Lisboa a uma feira a França. Aí dei seis segundas ajudas e fiquei no grupo.

O que é que sentia naqueles segundos em que o toiro arrancava e ia direito a si?

É preciso estar frio e fazer as coisas tecnicamente bem feitas.

Quando as coisas não resultam e o forcado é obrigado a fazer várias tentativas o erro é sempre do forcado?

Não, o toiro pode mostrar uma coisa e ser mentiroso ou pode um forcado pôr um pé em falso e cair. Isto é tudo um momento. Nada vem estudado de casa. Nós sabemos como é que os toiros investem, mas cada pega é uma pega.

Antes da corrida os forcados querem ver os toiros ou preferem vê-los só quando eles entram na praça?

Há forcados que não podem ver os toiros antes. Amedrontam-se. Vai do feitio de cada um. Há forcados que só gostam de pegar o primeiro toiro da corrida. Se pensam que vão pegar o segundo ou o terceiro estão ali num nervoso... E há forcados que não gostam de pegar o primeiro toiro da corrida...

São muito supersticiosos?

Depende da personalidade de cada um. Eu gostei sempre de abrir praça (pegar o primeiro toiro da corrida) para dar o exemplo e dar moral ao grupo.

Foi forcado durante quase 40 anos. Com o tempo e a experiência o medo foi desaparecendo?

Não, o medo controla-se, não temos é pavor. Quando um forcado tem pavor não há nada a fazer e isso nota-se.

Já sentiu isso em alguns forcados?

Já, já senti muita vez.

Mas há forcados que têm pavor antes de entrarem para a praça?

Não é bem pavor. Têm muito medo, mas um medo mais ou menos controlado. Nós somos humanos e há dias - aconteceu comigo algumas vezes - em que não nos apetece. Houve uma ou duas vezes em que eu dizia: "Hoje não me apetece mesmo nada, estou aqui apavorado." Mas depois de nos dizerem "o toiro é para ti" nós transformamo-nos.

E nesse momento perde-se o medo?

O medo existe sempre, mas não se pensa nisso.

Há uma sensação de alívio quando sente que a pega está feita?

Há um descomprimir muito grande. Posso dizer-lhe que é das coisas mais lindas do mundo.

Mas há toiros que não se conseguem pegar ou não?
Não, não há toiros impegáveis.

Mesmo no outro dia vi uma corrida na televisão em que o toiro não foi pegado, porque ninguém conseguiu.

Sei do que está a falar. Se calhar as coisas não foram feitas desde o início.

Quando um forcado sente que naquele momento não está em condições para pegar não pode dizer que não ao cabo do grupo?

Não se deve dizer que não. Só posso falar pelo grupo de Lisboa - quem me dissesse que não nunca mais na vida se fardava.

É uma questão de honra?

Sim, se alguém me fizesse isso só fazia isso uma vez, porque se não queria tinha dito antes. Às vezes diziam-me: "Ando aqui com uma dor na perna. Não me quero fardar." Podia não ter dor nenhuma, mas o coração naquele dia dizia-lhe que não e isso é humano. Isso aconteceu muitas vezes.

Os forcados ganham quanto por cada corrida?

Nós não somos remunerados. O grupo é que recebe, por exemplo, na primeira praça do país - que é o Campo Pequeno - cerca de 1250 euros (um grupo tem mais de 18 elementos).

Isso vai dar quanto por forcado?

Não vai dar nada por forcado. Ainda põem do bolso, porque depois vamos todos jantar e o dinheiro não chega. O dinheiro não chega para o jantar e para o hotel. Nós não nos fardamos dentro dos carros, nem nas casas-de-banho. O forcado é uma figura da festa e tem de ser tratado como tal. E temos sempre um jantar ou uma ceia se a corrida for à noite.

E quem é que paga?

É o grupo e quando o dinheiro não chega é a dividir por todos.

Os forcados chegam a pôr do bolso...

A maior parte das vezes isso acontece. Há corridas em que ganhamos pouco mais de 600 euros. Temos de pagar transporte, o hotel, o jantar...

Acha que é injusto, ou seja, que os forcados deviam receber mais?

Não digo que seja injusto. É o espírito do amador. Nós pegamos toiros em prol da amizade, de umas palmas e de umas flores. Se fossemos remunerados não havia dinheiro que chegasse para pagar a um forcado que fosse para a frente de um toiro.

E estragava esse espírito que existe entre vocês?

Acho que sim. Houve aqui há uns anos forcados profissionais, que pegavam por cem escudos. Se me pagassem sentia um compromisso com o público de ter de pegar o toiro, porque estava a ganhar dinheiro. Estou ali de peito aberto, para pegar o toiro, que é um animal do qual gosto e temos de lhe dar importância. Quando nós não damos importância ao toiro ele apodera--se de nós.

Isso é muito polémico. Vocês dizem que respeitam o toiro mais do que ninguém, mas há muitas pessoas que não compreendem como é que é possível gostar de um animal e, ao mesmo tempo, fazê--lo sofrer. Como é que encara as manifestações à porta da praça?

Hoje em dia já não ligo. São meia dúzia de rapazes. Acho que é um insulto a uma cultura e a quem gosta dos toiros. Chamam--nos assassinos... Eu não ligo, porque eles estão a insultar-me quando me chamam assassino.

Mas admite ou não que o toiro sofre quando está dentro da praça?

O toiro não sofre porque está debaixo daquele stress todo.

Sofre a seguir quando está à espera para ser morto.

Não, isso não é assim. O toiro, se sair daqui entre a uma e as duas da manhã, é morto logo às sete horas. É mentira quando dizem que ele está um ou dois dias para ser morto, nem a nossa Direcção-Geral de Veterinária permitiria isso e há estudos que dizem que o animal não sofre. Nós respeitamos muito o toiro.

Os forcados têm algum seguro?

O grupo de Lisboa tem, mas há grupos que não têm. Em todo o caso não chega. Nós temos um seguro que paga até 3500 euros. Mesmo há pouco tempo um forcado partiu a clavícula e teve de fazer uma operação que lhe custou mais de seis mil euros. E todo o grupo ajudou a pagar. Aí é que se cria o espírito de grupo. E as companhias de seguros estão a tentar desviar-se.

O risco é elevado.

O risco é elevado. Eu compreendo.

Já lhe morreu algum forcado?

No meu tempo não. Infelizmente aconteceu noutros grupos. No meu tempo, um filho meu esteve às portas da morte. Foi em 2003. Fez quatro operações muito complicadas, esteve duas vezes do lado de lá...

Estava na praça quando isso aconteceu?

Estava, fui eu que o mandei para o toiro. Aliás, mandei um outro forcado à cara. O toiro atirou com esse forcado para o hospital e foi o meu filho que veio dizer-me: "Pai, deixa-me lá ir." E o toiro mete-lhe cara, atira com os ajudas para o chão e prega com ele contra um estribo. Fez-lhe a fractura e o esmagamento do fígado e teve uma hemorragia interna muito grande...

E o que é que um pai sente nesse momento?

Senti a vida a fugir-me. Sofri... mas passou (voz embargada).

Nessa altura apeteceu-lhe desistir?

Não, até pelo contrário. Eu tinha de ser frio e tinha de ser isento. E continuei. Foi assim que apreendi.

Para ser forcado é preciso assumir todos os ricos inerentes a esta actividade, ou seja, assumir que podem morrer dentro da praça?

Até morrer, nós assumimos isso. Aqueles que sentem... Aqueles que não sentem desistem a meio. Tanto que, quando o meu filho saiu do hospital e veio ver uma corrida, eu agarrei no barrete, fui pegar um toiro e brindei-lhe a pega.

E aconselhou-o a desistir ou a voltar a pegar?

Não, não aconselho ninguém. Aí é que nós os testamos. Percebe? Hoje ele é o cabo do grupo de Lisboa e já pegou depois disso contra a vontade do médico, que disse que milagre só houve uma vez.

Há muitos forcados que desistem quando são colhidos?

Não desistem logo, mas alguns vão-se afastando aos poucos. É humano.

Levam à primeira, levam à segunda, mas à terceira...

Enjoam. Por exemplo o meu filho mais velho sentiu aquilo que aconteceu ao irmão, mas depois voltou para o ajudar. Não nos esquecemos, temos isso presente, mas não nos podemos lembrar disso.

Os seus filhos estão todos ligados aos toiros?

Sim. Dois são forcados e um é novilheiro e tenho uma rapariga, que, se fosse homem, era forcado. O que vivemos em nossa casa é o ambiente do toiro, a minha vida profissional está à volta do toiro, é o animal ao qual eu honro todas as minhas preferências. Ou no campo ou na praça.

O forcado leva para o resto da vida as colhidas que sofreu.
Claro que leva. Tenho cicatrizes na cara e na cabeça. Não podem tocar-me na cabeça com mais força....

Como é que as pessoas que conhece encaram o facto de praticar uma actividade que não é muito comum?

Dizem que sou maluco, mas um maluco medido. Não me considero maluco, porque faço as coisas de forma consciente. Agora o que pode haver é um espírito para desafiar o perigo, isso é verdade. Desse espírito nasce a arte de pegar toiros.

Foi muitas vezes para o estrangeiro com os forcados. Qual era a reacção das pessoas que viam, pela primeira vez, uma pega e que não conheciam os forcados?

Ficavam delirantes. Peguei em Macau, na Califórnia, em Atenas... Ficavam doidos com os forcados. Queriam chegar ao pé de nós e apalpar-nos para ver se tínhamos alguma coisa para nos proteger. Não acreditavam que fosse só a farda.

Portugal é o único país onde há forcados.

Há também no México, mas porque a tradição foi levada por portugueses.

Quando não consegue pegar o toiro, um forcado deve dar o lugar a outro ou deve tentar até ao limite das suas forças pegá-lo, mesmo quando já levou muita pancada?

O forcado, a partir de uma determinada altura, já não percebe nada e tem de haver alguém cá fora que o oriente, porque ele pode estar a fazer um erro muito grande e com a cabeça quente não perceber isso.

E nesse momento vale mais substituí-lo?

Substituir só se ele se lesionar. É uma questão de honra. Eu mando um forcado à cara de um toiro e seria desrespeitá-lo se o chamasse à trincheira para dizer: "Agora vai lá outro." Mas há forcados que fingem que estão aleijados. Já não são capazes, já não têm coração para ir lá e são grandes forcados.

Fingem que estão lesionados e não estão?

Isso acontece. Estão apavorados...

E não contraria isso?

Não posso contrariar. Se me dizem que estão aleijados tenho de acreditar. Por isso é que o cabo (líder do grupo) tem de dar o exemplo, para ter autoridade nesses momentos. Por exemplo com o meu filho Pedro não me apercebi uma vez, em Cascais, que ele tinha a clavícula partida e mandei-o pegar outra vez. Houve pessoas do público contra mim, mas ele pegou o toiro na mesma. Até eles estarem de pé têm de lá ir.

A grande mudança que houve no país com o 25 de Abril teve alguma influência nas corridas de toiros?

Não, nenhuma.

A política nunca se meteu com as touradas?

Não, não tem nada a ver uma coisa com a outra.

Mas as pessoas de direita gostam mais de toiros ou é uma ideia errada?

Não sei. Até lhe posso dizer que uma vez nós fizemos um grupo para ir à Assembleia da República discutir os toiros de morte em Barrancos e o único partido que nos deu abertura foi o PCP. Os da direita esquivaram-se todos, o CDS, o PSD e o PS. Os únicos que nos receberam de braços abertos foram os do Partido Comunista.

Como é que viveu a juventude num grupo dos forcados? É verdade que os forcados andam muito à pancada?

Não. Sempre detestei isso. O que ouvia era que o grupo de Lisboa gostava de andar à porrada mas, quando eu conheci o grupo, o Nuno (Salvação Barreto) não gostava que houvesse pancadaria, porque sempre nos ensinou que ser forcado é uma escola de boas maneiras.

Como é que se divertiam?

Divertiamo-nos a pegar toiros. Era um grupo de amigos e depois das corridas há sempre um jantar.

A amizade é importante?

Tem de ser. A amizade é transportada lá para dentro para darmos a vida pelo companheiro.

Foi forcado quantos anos?

Desde 1970 até ao ano passado.

Contou os toiros que pegou?

Reses bravas contei. À volta de trezentas.

Conheceu o Salvação Barreto, que participo no filme "Quo Vadis". O que é que fazia dele um forcado especial?

Conheci-o ainda era pequeno e ele ainda pegava. Tenho umas imagens dele. Era um forcado bonito a chamar o toiro pela sua figura. Lembro-me dele aqui no Campo Pequeno. Eu era pequeno e vinha com o meu pai tourear e adormecia ali no cimento com cinco ou seis anos. Era um forcado de eleição e um condutor de homens.

Como é que se concilia a vida de forcado com a profissão que cada um tem?

Com muito sacrifício e paixão.

Há compreensão dos empregadores?

Não é fácil, mas quando são aficionadoscompreendem que isto nos faz felizes.



publicado por Santos Vaz às 13:29

04 de Agosto de 2011

Decorreu sem grande história a primeira corrida da temporada poveira.

Mais de meia lotação preenchida por um público entusiasmado e vibrante, com o qual é fácil triunfar, mesmo sem desempenho que o justifique. Um público que aplaude e acarinha os toureiros, mas incapaz de distinguir uma lide de antologia de uma total tragédia.

António Telles abriu praça e não defraudou os mais exigentes, toureando de frente e cravando excelentes curtos, culminado com um palmo de grande nível. Destaque para o cavalo de saída, Xairel, de ferro Oliveira Martins, já é mais do que uma promessa, tendo habilidade e potencial para se tornar uma referência.

Luís Rouxinol teve que suar e dispor de toda a sua experiência e valor para conseguir cravar a ferragem da ordem a um toiro que desde o primeiro ferro se refugiava em tábuas e denotava grandes problemas de visão. Lide de grande esforço e labor de um cavaleiro que merecia outra sorte.

A João Cerejo tocou talvez o melhor toiro da tarde. Arrancando-se de qualquer parte, investia sem fazer mal e, caso fosse outro o seu adversário, poderia ter proporcionado um grande êxito. A sorte tem destas coisas e Cerejo não fez mais do que passar pela Póvoa, sem entusiasmar.

Sónia Matias tem na Póvoa o seu público, uma legião de fãs que com ela vibra, independentemente da qualidade da sua prestação. Esteve igual a si mesma deixando, como sempre, grande ambiente entre os aficionados nortenhos.

João Moura Caetano enfrentou algumas dificuldades de entendimento com o toiro que lhe tocou em sorte, um manso que lhe dificultou a vida. Ainda assim conseguiu uma lide agradável com bons momentos de toureio.

Triunfador de 2010, Duarte Pinto veio à Póvoa disposto a confirmar que a excelente lide de 2010 não tinha sido obra do acaso. Foram dele alguns dos melhores momentos da tarde e poderia ter encantado se desse mais vantagem a um toiro que, tal como o terceiro, se arrancava de qualquer lado. Montado no Visconde, citou de praça a praça, e cravou três ferros curtos de grande nível.

Tarde de desacerto para os forcados de Alcochete que, apesar de não terem tido sorte complicaram demasiado e enfrentaram grandes dificuldades, sobretudo no seu primeiro toiro, o mesmo que não permitiu a Rouxinol expor o seu toureio. Melhor estiveram os Amadores de Évora que brindaram o público com duas boas pegas, ao primeiro e terceiro toiros da tarde.

Ficou demonstrado que a aficion nortenha respira entusiasmo, mas que esta praça, a única no litoral norte do país em funcionamento, necessita de outro carinho na sua gestão e de muita preocupação na formação de um público que transpira espírito festivo e que pode bem suportar uma temporada com mais consistência e talvez mais um ou outro espectáculo com figuras de menor renome.

Seguem-se no tauródromo poveiro a tradicional corrida da RTP Norte, no dia 22 deste mês e, a 7 de Agosto, a corrida de homenagem ao emigrante.

publicado por Santos Vaz às 16:39

mais sobre mim
pesquisar
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Agosto 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
23
24
25
26

29
30
31


arquivos
2017:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2016:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2015:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2014:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2013:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2012:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2011:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2010:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2009:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


Contador

Contador de visitas Saúde
subscrever feeds
blogs SAPO