11 de Abril de 2012

À semelhança do que aconteceu em 1735, 1785, 1821, 1931 e em tantos outros anos ao longo do último século, no próximo dia 6 de Maio, Barcelos voltará a receber uma Corrida de Toiros. Conjugam-se todos os ingredientes para um excelente espetáculo: consagrados cavaleiros tauromáquicos (o carismático e alegre Joaquim Bastinhas, a classicista e elegante Ana Baptista e o jovem, mas seguro, Marcos Tenório), grupos de forcados de créditos firmados (Cascais, Alenquer e Coimbra), toiros de uma prestigiada ganadaria (Cunhal Patrício), receitas a reverter para uma instituição do concelho (Bombeiros Voluntários de Barcelos) e, inevitavelmente, alguma polémica.

Como tem sido comum um pouco por toda a geografia taurina, a contestação já começou e promete mais alguma controvérsia, com troca de argumentos, manifestações e muita demagogia à mistura.

Herdeiros da cultura mediterrânica do sul da Europa, os povos ibéricos e, por influência, muitos latino-americanos, preservaram esta tradição ancestral com origem nos cultos pagãos greco-latinos. Há séculos que a tauromaquia é um tema polémico e fraturante, que apaixona defensores e abolicionistas e cuja discussão se desenvolve em torno de antigos e repetidos argumentos de ordem artística, ética e cultural.

É perfeitamente compreensível que muitos não gostem do que se passa dentro de uma arena e que não compreendam as regras, os valores e os rituais que atraem os aficionados. O que não é compreensível é a tentativa de impedir e proibir este tipo de espetáculos, a intolerância dos movimentos abolicionistas que, tantas vezes, pouco têm a ver com a defesa dos animais, como se viu na Catalunha. Mais, é inaceitável o insulto a todos os que, pagando um bilhete, assistem a corridas de toiros. É disso que se trata quando se usam expressões como tortura ou barbárie.

A discussão em torno da tauromaquia é uma questão de liberdade e respeito. A liberdade de poder assistir a um espetáculo sem ser insultado ou ameaçado, de poder manter as tradições, de as promover, divulgar, defender e transmitir às gerações seguintes. O respeito por uma tradição e uma manifestação cultural genuinamente portuguesa e que, tirando as considerações daqueles que se julgam moral e intelectualmente superiores, se mantém bem viva de Norte a Sul do país, atraindo milhares de aficionados que, nas praças ou nas ruas, vibram com as diversas formas de tauromaquia, desde as populares largadas às tradicionais corridas à portuguesa. Respeito também por uma atividade que preserva milhares de hectares de montado, com um dos sistemas de produção de bovinos mais sustentáveis e com maior bem-estar animal. É necessário lembrar que as vacadas de raça brava são criadas em plena liberdade e com condições incomparáveis às das restantes raças bovinas. Respeito por aqueles que preservam uma raça, que de outra forma seria rapidamente extinta e que permitiram a preservação e melhoramento de um dos mais valiosos produtos portugueses, o cavalo Puro-Sangue Lusitano. Respeito por todos aqueles que, direta ou indiretamente, vivem da tauromaquia, que nela têm o seu sustento e por ela pagam os seus impostos. Respeito ainda por uma atividade marcada pela grande solidariedade dos seus intervenientes que contribuem generosamente para diversas instituições de solidariedade social. Respeito também por todos aqueles que usufruem dessa ajuda.

Como qualquer forma de arte a tauromaquia, antes de ser percebida, tem que ser sentida. É estéril o debate sobre o seu sentido ou atualidade. Como todas as tradições de raiz popular poderá terminar um dia, mas esse fim será ditado pela falta de apreciadores, nunca por decreto.

Numa sociedade que tende à homogeneidade cultural a tauromaquia é uma forma de distinção, de individualismo, de diferenciação. A mobilização para o seu fim não é mais do que uma tentativa de imposição cultural, a propósito de uma pretensa superioridade intelectual. É, por isso mesmo, ilegítima.

Pede-se apenas a liberdade e o direito de assistir ou não às corridas de toiros, de transmitir e explicar os princípios, os valores, as regras e as tradições da cultura taurina, sem insultos ou avaliações de caráter. Pede-se apenas respeito.

publicado por Santos Vaz às 22:10

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