18 de Abril de 2012


O Toiro de Lide é cultura genética.

É um animal criado pelo homem, destinado exclusivamente ao espectáculo tauromáquico. Aquilo que o distingue, no universo da raça bovina, é uma mistura de atributos físicos e temperamentais. Ao toiro de lide exige-se a bravura, resultado da combinação entre a casta e a nobreza. Sem uma das duas, o resultado só pode ser a mansidão, o que dificulta sobremaneira a lide. O trapio é o que impressiona, é o que nos salta à vista. Diz-se que um toiro tem trapio quando reúne as qualidades morfológicas e as condições físicas de um verdadeiro atleta. Os principais rasgos morfológicos para determinar o trapio de um toiro são o tamanho e o peso, a estatura, a conformação do tronco, extremidades, cabeça, cachaço e os cornos.

É um animal que busca a segurança e refugio numa manada. Depois do nascimento e antes de ser desmamado, o bezerro viverá cerca de nove meses alimentado e protegido pela mãe. Dado que a sua madureza sexual se produz aos dezasseis meses aproximadamente, pouco depois de um ano separam-se os machos e as fêmeas, que a partir desse momentos viverão em cercas distintas.

As diferentes idades do toiro de lide têm nomes específicos: añojos (1 ano), erales (2 anos), utreros (3 anos), cuatreños (4 anos) e cinqueños (5 anos). Numa manada estabelece-se uma rigorosa hierarquia. Chama-se mandõn ao toiro dominante e que se impões. Com certa frequência é desafiado por outro membro do grupo para arrebatar-lhe a liderança. Ao toiro derrotado denomina-se abochornado e é atacado e perseguido pelo resto da manada, ficando afastado da mesma, tornando-se violento e perigoso.

O custo da criação de um toiro de lide é bem mais alto que do gado de corte e o preço do destino final (corrida de torios) depende da qualidade e do prestigio da ganadaria.

Existem actualmente, no nosso país, cerca de 110 ganadarias, que empregam cerca de 350 pessoas, entre maiorais, campinos e outros trabalhadores.

O toiro de lide é, a par do cavalo lusitano, que muito se desenvolveu graças ao primeiro, das poucas indústrias pecuárias que Portugal exporta para o mundo taurino. É o elemento principal de uma corrida, verdadeiramente excepcional em todo o reino animal, e tão admirado hoje como sempre o foram os seus antepassados. Hoje apenas existe para a lide e sem as corridas de toiros deixaria de existir. A proibição das corridas de toiros, defendida por algumas associações menos esclarecidas, implicaria por isso, para além do fim de um património artístico e cultural de valor inestimável, a extinção de uma espécie e a consequente perda de todo ecossistema que, hoje só existe e se mantém graças ao toiro de lide.



Por: Bernardo da Costa (Mesquitella) 

publicado por Santos Vaz às 22:05

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