26 de Abril de 2012

Um Milagre do Bairrismo Vimaranense

 

Há precisamente 62 anos, na madrugada de 28 de Julho de 1947 ardeu completamente a Praça de Touros, onde deveriam realizar-se as Corridas das "Gualterianas". Horas depois do grande incêndio, os vimarenenses impulsionados por extraordinário amor-bairrista decidiram reconstruir a Praça, e o feito concretizou-se com espanto de toda a gente. Tal acontecimento causou brado em todo o país e mesmo além fronteiras...

 

A edição nº809 saída a 3 de Agosto seguinte, relatava deste modo:

«ARDEU A PRAÇA DE TOUROS E, EM 5 DIAS, FICOU RECONSTRUIDA»

Notas dispersas de um grande acontecimento.-« Na madrugada de segunda-feira, irrompeu, com fúria, por causas que ainda se ignoram, um violento incêndio, que ao cabo de uma hora tinha lambido quase completamente a nossa Praça de Touros, mandada construir, este ano, de novo e cuja inauguração tinha sido marcada para hoje.

De nada valeram os esforços dos nossos intérpidos bombeiros que tiveram a coadjová-los os das Caldas das Taipas, nem os populares que ocorreram em grande número ao local do sinistro.

Da nova e elegante praça ficaram apenas os alicerces em pedra, a trincheira e...um montão de cinzas.

A cidade inteira assistiu, emocionada, ao derruir do grande edifício.

Surgiu o desânimo. A cidade, dolorosamente ferida, via que o desastre daquela madrugada vinha ofuscar grandemente o programa das FESTAS DA CIDADE e daí o grande pesar de toda a gente que andava de olhar baixo, meditando.

Começou, porém, de momento, a necessária reacção. A Praça poderia levantar-se de novo, diziam. Desde que se conseguisse materiais e pessoal tudo ainda seria possível, nao obstante estarmos a uma distância apenas de cinco dias.

Foi isto passando de boca em boca até que, levados todos pelo seu grande desejo de contribuírem para a realização desse sonho, se reuniram no Grémio do comércio, às 16 horas, conjuntamente com a Comissão Executiva das Festas, muitos mestres de obras da cidade e conselho e outras pessoas a quem foi posto claramente o problema:

«Será possível dentro destes 5 dias construir-se uma nova Praça?

Ao que responderam em coro :« Desde que as madeiras apareçam sem demora e o pessoal se consiga em grande número, tudo se consegue» Tanto bastou para que tudo se organizasse imediatamente.

Partiram pessoas em todas as direcções: uns a tratar do assunto das madeiras, outros a recrutar o pessoal.

Entretanto, no lugar onde existiu a Praça, compareciam centenas de rapazinhos vindos de todas as ruas que, num gesto digno de registo procediam à limpeza do recinto, onde já se estava a montar o serviço de iluminação eléctrica para o início dos trabalhos.

Enquanto que no Grémio do Comércio numerosas individualidades, á frente das quais os senhores Comendador Alberto Pimenta Machado, António José Pereira Rodrigues, José Rodrigues Guimarães, Eduardo Torcato Ribeiro e outros, estudavam em todos os seus promenores o assunto da construção da nova Praça, agregando elementos indispensáveis, dando instruções e prevendo hipóteses, cá fora, pelas ruas, comentava-se com ar alegre, teciam-se louvores, faziam-se promessas, rejubilava-se, enfim, de tanto entusiasmo.

A «Cabine de Som», instalada na Praça do Toural, levantava ao mesmo tempo o seu apelo, espontâneo e caloroso, em prol do engrandecimento da Cidade, para que todos os vimarenenses, bem unidos, como um só, prestassem a sua colaboração indispensável, no momento, para a construção da Praça de Touros.

Já por essa hora repicavam os sinos festivamente, os mesmos sinos que na madrugada haviam aflitivamente chamado os socorros, e automóveis que tinham também na noite anterior, despertando a cidade com o silvar de suas sirenes, atravessavam agora as ruas, silvando em tom mais alegre.

À noite redobraram de calor as manifestações. Milhares e milhares de pessoas cantando o Hino da Cidade á mistura com acordes musicais de duas filarmónicas - as dos B. V. de Guimarães e das Oficinas de S. José - saíram para a rua. Fizeram-se saudações através de poderosos alto falantes, deram-se vivas, afirmou-se bem alto que o querer é poder e que os vimarenenses tudo podem quando querem.

In Notícias de Guimarães

                                    

Editado pela Livraria Orpheu

Reconstrução em 5 dias da Praça de Touros em Guimarães, por

ocasião das Festas Gualterianas - Ano de 1947

 

in http://livrariaorpheu.blogs.sapo.pt/5536.html

publicado por Santos Vaz às 10:25

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