05 de Agosto de 2012

MANUEL CASIMIRO DE ALMEIDA é outro filho de S. Pedro do Sul. Nasceu no Bairro da Ponte, em 1854. Concluída a escola primária, cursou o Liceu, em Viseu. Aos 18 anos, partiu para o Brasil, para se dedicar ao comércio, mas a permanência foi curta. Em 1880, fixou residência em Viseu, onde casou. Pelo seu dinamismo e poder de iniciativa, em breve se tornava figura de relevo 

na sociedade viseense. Fundou a Corporação de Bombeiros Voluntário de que assumiu o comando, até ser nomeado Inspector dos Serviços de Incêndios. Pelos serviços prestados à causa dos Bombeiros, recebeu vários louvores e condecorações. Dedicou-se a variadas obras de solidariedade social e desempenhou cargos directivos em várias instituições viseenses. Como industrial, foi proprietário do "Hotel Portugal", ao tempo uma das boas unidades hoteleiras do País.
Toureou, como amador, ao lado de Carlos Relvas, que, impressionado com a sua arte, o incitou a enveredar pela carreira profissional na tauromaquia. Obteve grandes êxitos, em praças portuguesas e estrangeiras, nomeadamente na corrida realizada em 1906, pelo casamento do rei Afonso XIII, em Madrid, onde toureou ao lado de seu filho José. Toureou também no Brasil e em França.

Na sua terra natal, onde começou como amador, toureou também como profissional, aquando da estada da última rainha de Portugal. Deixemos ao cronista o relato de uma dessas touradas:
"Eram 5 horas precisas quando S. M. com seus encantadores filhos, as sr.as condessa do Seisal e D. Izabel Pontes, e os srs. conde da Ribeira Grande, e Dr. Barros da Fonseca, governador civil e secretario geral d'este districto occuparam a tribuna real. Esta estava luxuosamente adornada com colgaduras de damasco e seda, de subido valor tendo no tôpo uma corôa real bem contornada e trabalhada em madeira domada, e com pavilhão real içado, (...) Nos camarotes contigos a élite da nossa sociedade, da de Vizeu, e outros pontos as autoridades, e muitos outros cavalheiros de distincção.

A praça (...) estava apinhadissima. As toilettes das damas davam á praça um aspecto simplesmente bello. Estavam mais de 4:000 pessoas, e maior numero seria se fosse possivel comportar mais. (...)
O espectaculo correu bem. Manoel Casimiro foi felicissimo, correcto e artista. O primeiro touro que lidou era muito conhecedor. Não correspondia aos cites e o cavalleiro só poude enfeita-lo com um ferro á estribeira. O outro que lhe competiu (o quarto) prestou-se á lide, e metteu-lhe um ferro em sorte de gaiola, um excellentemente posto á tira, outro á garupa e um bello par de ferros curtos. Manoel Casimiro foi muito victoriado e chamado á arena"42.

Em Viseu, brilhou também nas touradas em honra da Rainha.

A sua brilhante carreira de cavaleiro tauromáquico terminou em 28 de Agosto de 1921, na praça de Espinho, onde toureou pela última vez.
Monárquico convicto, envolveu-se em lutas políticas, nomeadamente na tentativa de restauração da monarquia em Viseu e outras terras da Beira, em 1919, o que lhe custou alguns dissabores. Morreu em 1925.

Na praça de touros do Campo Pequeno, uma lápida com medalhão de bronze perpetua a memória do brilhante cavaleiro tauromáquico sampedrense, iniciador de uma dinastia de artistas, que inclui a viseense Mirita Casimiro, seu filho José e seus netos, Manuel e José Casimiro Júnior, todos toureiros equestres.



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publicado por Santos Vaz às 08:27

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