09 de Agosto de 2012

Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo

 

Foi com profunda tristeza e mesmo com indignação que tive conhecimento da proibição da realização de uma corrida de toiros em praça desmontável no próximo dia 19 de Agosto.

A tauromaquia faz parte da história de Viana do Castelo e a história não se apaga por mera vontade de qualquer edil de efémera passagem pela gestão do concelho. Foi por isso que me revoltou a anti-democrática e ilegal decisão do seu antecessor de proibir as corridas de toiros nesta cidade e é por isso que, com profunda tristeza, vejo V. Ex.ca persistir no mesmo erro.

Entende este executivo que as corridas de toiros não se enquadram numa cidade saudável. Pois eu entendo o conceito de cidade saudável nos seus diferentes níveis: no físico, no ambiental e no intelectual. Na minha modesta opinião, o que não se enquadra numa cidade saudável é a intolerância e a limitação à liberdade. Não pode ser saudável uma cidade que não respeita as diferentes opiniões, que julga poder determinar por decreto aquilo que se deve e não deve gostar, uma cidade cujos representantes, ainda que indirectamente, insultam os seus representados desconsiderando-os simplesmente por apreciarem determinado espectáculo. O que levanta outra questão: Qual é a consideração que vossa excelência tem pelos vianenses que apreciam corridas de toiros? Considera-os por ventura, cidadãos de segunda, por apreciarem este espectáculo no vosso entender retrógrado e bárbaro. Calculo que sim, ainda que não o assuma. E quanto aos visitantes aficionados? Prescinde V. Ex.ca do dinheiro trazido à cidade por estes visitantes. Considerou o desastre que seria um hipotético boicote dos aficionados portugueses a Viana do Castelo. A quebra de receitas que representaria se uma parte dos aficionados portugueses decidisse não voltar a uma cidade que não os respeita e não os considera dignos de uma “cidade saudável”. Seria um exercício interessante.

A tauromaquia é um espectáculo legal e, por isso, as decisões dos autarcas vianenses são um atentando à liberdade, para além da já referida profunda falta de respeito. Uma atitude que mancha a história de uma cidade e que mancha os seus representantes e o partido pelo qual foram eleitos, um partido criado para lutar pela liberdade.

Não vivo em Viana, mas sou descendentes de Vianenses, alguns deles ainda vivem nesta linda cidade e desloco-me frequentemente à cidade por motivos pessoais e profissionais. Cada vez que o faço sinto uma profunda mágoa por ver ao abandono a praça de toiros, em processo de degradação, vítima de uma decisão populista, inconsequente, demagógica e anti-democrática. Uma praça onde as três gerações que me antecederam assistiram a corridas de toiros, onde eu pude apreciar tantos e tão bons momentos de toureio, mas onde os meus filhos não poderão usufruir do mesmo espectáculo, porque um qualquer autarca do qual dentro de uns anos nem o nome lembraremos, decidiu que devia legislar sobre o que os cidadão deviam ou não deviam gostar. Por menos se deram revoluções.

Mas pior que a degradação material é a degradação da memória, a tentativa de fazer esquecer uma história e um património imaterial. Pior do que isso é a limitação da liberdade, é a falta de respeito e a intolerância. Essa é a verdadeira mancha da cidade de Viana.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Pedro Santos Vaz

publicado por Santos Vaz às 17:18

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